Coronavirus, alimentação e confinamento

 em Biologia

Coronavirus, alimentação e confinamento

Dr. Pablo Campra Madrid
Licenciado en Ciencias Biológicas. Doctor en Ciencias Químicas. Profesor de la Universidad de Almería, Área de Tecnología de Alimentos

Tradução José Carlos Franco de Lima

Nesses dias carregados de paranóia e confinamento, igual o que aconteceu a 200 anos atrás, estão nos fazendo crer que a pesquisa científica vai descobrir rapidamente a solução final para a enfermidade em algum tipo de molécula milagrosa, e neste caso, contra uma variedade concreta, de um tipo concreto de vírus, que poderemos “matar” e eliminar de nossas vidas. Nada mais longe da verdade científica. Como sabemos pela epidemiologia além deste novo coronavirus, outros virão, e o mesmo transmutado em novas formas, estarão como sempre têm estado em nossas vidas, atacando com maior virulência aqueles indivíduos com estado de saúde e sistemas imunes mais debilitados, pela idade avançada e por hábitos de vida insanos, praticados durante anos.


O pesquisador/biólogo Pablo Campra confinado en sua casa de Almería (Espanha).

Isso é o que indicam os estudos epidemiológicos e clínicos publicados até esta data tanto sobre o COVID-19 como por coronavirus similares, responsáveis por epidemias anteriores como a SARS (2002) e o MERS (2012), ou igualmente complicações patológicas comparáveis a gripes e catarros. Na maioria dos casos registrados, esse novo coronavirus é realmente perigoso e pode ser letal sobretudo para aqueles pacientes que já tinham patologias prévias ou marcadores sanguíneos de transtornos fisiológicos ou metabólicos ocultos (inflamação e estresse oxidativo), que se manifestam como as principais enfermidades crônicas devido a dieta e modo de vida chamado “ocidental”: hipertensão, diabetes, síndrome metabólica, enfermidades respiratórias, doença autoimunes, neuro-degenerativas e cardiovasculares, câncer, obesidade, etc.
Em particular, nossa linha de pesquisa na Universidade de Almeria, nos últimos anos, tem tratado de aportar mais provas científicas de que a incidência e gravidade destas enfermidades podem ser prevenidas mediante uma dieta adequada. Em particular, temos juntado provas do potencial quimiopreventivo de tomates, alhos, pimentões, azeite de oliva, frente ao câncer de colo de útero, e ainda mais da potente combinação destes vegetais em sopas frias caseiras (gazpachos). Pois bem, a literatura epidemiológica sobre a avaliação do risco de complicações e mortalidade em infecções similiares por vírus muito parecidos ao COVI-19, como catarros e gripes, nos permite afirmar que esta mesma alimentação e hábitos saudáveis são a melhor e mais efetiva “vacina” a médio e longo prazo, contra esta e contra todas as demais enfermidades crônicas, associadas ao modo de vida ocidental. Além disso, sem efeitos secundários e com uma redução potencial e drástica de gastos sanitários.

A comida deve ser nosso remédio?

Vamos divulgar nesta postagem algumas recomendações nutricionais que apesar de estar disponível a qualquer um que queira informar-se para além da psicose midiática atual, insolitamente nem as autoridades sanitárias, nem os meios massivos de comunicação estão fazendo; e que estão plenamente apoiadas em milhares de estudos epidemiológicos e clínicos sobre saúde e enfermidade.

Como sabiam os clássicos antigos, contra a enfermidade “mens sana in corpore sano”. Exercício, mente e alimento, o lema de Hipócretes lamentavelmente esquecido (inclusive reprimido legalmente) de que “O alimento seja seu remédio, e seu remédio seja seu alimento”. Igualmente importante é o exercício físico moderado (ao sol e ao ar livre), assim como sossego mental e espiritual, evitar toda ansiedade, medo descontrolado e estresse existencial. Falaremos aqui da inadiável urgência de difundir massivamente a aquisição de uma dieta saudável anti-inflamatória e imunomoduladora.
Precisamente o contrário do que se está fazendo nos dias de medo, desinformação e esperanças vãs em remédios farmacêuticos milagrosos. Gente confinada entre quadro paredes, forçada ao sedentarismo, ansiosa, deprimida e estressada pelo bombardeio midiático, com relações sociais e familiares impedidas e conflitivas, afastadas de ambientes naturais, sem tomar sol e lançando-se ao supermercados para encher-se de carnes, lácteos, alimentos processados desnaturalizados, massas de farinha de trigo e hidratos, glúten, aditivos, álcool e açúcares ou refrigerantes açucarados. Ao invés de se de lançarem sobre as bancas de verduras e frutas!!! Todos esses alimentos são fatores claramente proinflamatórios e imunodepressivos. O terreno perfeito para preparar o desembarque inelidível do vírus com a virulência que estamos vendo, somente quando nosso sistema defensivo e microbiótico o deixam proliferar.

Se deve deixar claro, ainda que se esteja logicamente evitando fazê-lo no momento para evitar o colapso sanitário que o atual confinamento da população só oferece proteção individual a curto prazo contra esse coronavirus, a não ser que nos isolemos pelo resto de nossas vidas. O objetivo do isolamento é meramente epidemiológico, só para diminuir a taxa de transmissão a médio e longo prazo que será generalizada nos próximos meses e anos. O que não se diz é em questão de meses esse novo coronavirus baterá a porta de todos, a cada um de nós para testar a fortaleza de nosso sistema defensivo, ou dizendo melhor, a coerência entre nosso sistema biológico e microbiológico. E aí, igual ao que está ocorrendo com todos os que estão sendo infectados, não valerão nem o confinamento, nem a máscara. Senão exclusivamente o ótimo estado de funcionamento de nosso sistema imunitário e seus mecanismos de inflamação, cuja função, não é outra, que facilitar a atuação de diversos agentes imunitários, células e biomoléculas imunomoduladoras para evitar a proliferação patológica de qualquer espécie microbiológica. É inadiável ensinar a população que estes sistemas desde já podem potenciar-se com a adoção de hábitos saudáveis e alimentares, reduzindo-se com isso a médio prazo (e possivelmente também a curto prazo) as taxas de transmissão, virulência e mortalidade atuais, segundo sugere toda a literatura epidemiológica deste e de outros vírus similares.

Fortalecer o corpo para enfrentar virus

Para tanto, a única maneira de quando afinal e inevitavelmente este novo vírus entre em contato com nosso organismo, seja assintomático ou leve e não desencadeie processos graves possam levar a morte por pneumonia, síndrome respiratória ou complicações associadas. É fortalecer com antecedência nosso sistema imunitário, equilibrar nossa fauna macrobiótica e ter montado um sistema anti-inflamatório associado coerente e bem modulado. E isso não se consegue ao longo prazo com o confinamento indefinido, nem com vacinas estacionais. Pelo contrário prolongar-se por semanas ou meses o confinamento em milhares ou milhões de pessoas levará a depressão do sistema imunológico e inflamatório, causada pela limitação de exercício e movimento, pelo estancamento de líquidos corporais, pelo bloqueio do sistema de comunicações bio-eletromagnéticas do sistema muscular e conectivo inativos. Também pela falta de luz solar (por deficiência de síntese de vitamina D anti-inflamatória), e por falta de ar puro eletronegativo antioxidante, pela ansiedade e estresse econômico, pelo isolamento psicológico e social, pelo tédio, pela depressão e pelos conflitos de convivência. Associado à má alimentação e exposição a ondas eletromagnéticas de todo tipo de wifi e telas, levarão e, provavelmente, já o estão provocando, a um aumento do número e gravidade de todo tipo de patologias associadas ao modo de vida “ocidental” cujo número de infectados e falecidos jamais conheceremos porque não se contaram nas estatísticas, porém serão com certeza superiores aos números atuais que já contabilizam centenas de milhares anualmente.

Apesar desta situação e pelos riscos à saúde por causa do estresse mental e fundamental ser otimistas, que este confinamento não dure demasiado, porém em minha opinião, a sociedade civil deve começar desde já a pedir aos responsáveis públicos que encontrem o quanto antes uma forma de permitir que a população possa sair para passear e fazer esportes ao ar livre (fundamental para a saúde mental e para o sistema imunitário), como se está permitindo em outros países, por exemplo com limitações necessárias pela quarentena (por exemplo, esportes individual com máscaras ou em turnos, ou distanciamentos, etc), ou em pouco tempo teremos uma crise massiva sanitária de um sem fim de patologias diversas, silenciosas e silenciadas pela mídia.
Nesse contexto, desde a perspectiva de nossa linha de pesquisa orientada a quimioprevenção pela dieta, creio que está crise é uma oportunidade para conscientizar definitivamente a população da necessidade ir além das recomendações básicas de uma dieta natural saudável. Todos temos ouvido falar da dieta mediterrânea, da necessidade de comer frutas e verduras, etc. Uma dieta equilibrada, porém a tendência é seu abandono pela dieta ocidental baseada em alimentos processados. Por certo, algumas destas recomendações ainda sofrem de erros graves, o principal é o paradigma de que a base de uma pirâmide alimentícia deve ser os carboidratos (pão, batatas e massas de trigo) em vez de uma base de produtos vegetais frescos e não processados. Vale como exemplo a dieta realmente quimiopreventiva chamada “prato saúdável” recomendada pela Universiade de Harvar, onde a metade da dieta deve ser constituída por superalimentos e alimentos vegetais quimiopreventivos. Interessante anotar aqui como se vê, há uma maior proporção de verdura e fruta. Isso se deve ao excesso de frutas (e não digamos de sucos e inventos “detox” que podem ser proinflamatórios pela elevada carga glicêmica. Por tanto, as frutas devem ser comidas em porções, ou 1-2 copos de sumos diários no máximo.

Outro erro frequente é acreditar que o verdadeiro “virus” da alimentação ocidental não é outro que o açúcar, presente em excesso em nossa dieta em todo tipo de alimentos processados, além do excessivo consumo de hidratos e doces que por fim, termina como açúcar no sangue, ainda que seja em menor velocidade ou índice glicêmico. O açúcar é fortamente proinflamatório, ao ativar picos de insulina que desencadeiam toda uma cadeia inflamatória que provavelmente se encontra na origem da maioria das enfermidades crônicas ocidentais, causando milhares de enfermidades e falecimentos. Proinflamatórios são também os tóxicos ambientais e muitos aditivos químicos contidos nos alimentos processados, por isso nesta situação de emergência deve recomendar-se encarecidamente o consumo de alimentos frescos, não processados, nem tratados termicamente. Este último é muito importante, pois o calor destrói parte das biomoléculas quimiopreventivas. Por exemplo, os sucos e sopas (gazpachos) devem ser feitos prioritariamente em casa ou serem adquiridos frescos, não pasteurizados (já existe ofertas em supermercados, refrigerados de qualidade inferior a uma semana).
Não obstante, nesta situação de alarme sanitário não basta somente recomendar uma dieta mediterrânea saudável indefinida (o que nem sequer se está fazendo). O que necessita ser difundido e aplicado massivamente é o fato de que existem de fato determinados superalimentos vegetais (assim como uma variada oferta de plantas medicinais) que têm efeito potencializador do sistema imunitário e modulador da inflamação, e portanto protegem da virulência em processos catarrais, gripais e infecções por vírus similiares como o COVID-19.

Quais são estes supervegetais antiCOVID19?

Os mesmos que se conhecem desde o início da humanidade como preventivos e inibidores de processos catarrais ou resfriados comuns, causados por outros cornavirus similares que convivem conosco (ao menos 4 diferentes, que eu saiba) e de gripes causadas por influenzavirus. Porque ainda que o COVI-19 seja algo mais virulento por sua novidade que os responsáveis destas patologias respiratórias, a etiologia, epidemiologia, patogêneses, transmissão, quadro clínico, complicações e tratamentos são muito similares. Quer dizer, qualquer hábito ou remédio conhecido contra catarros e gripe terá provavelmente um efeito significativo na redução das taxas de transmissão, virulência e mortalidade do CONVID-19. Nós nos guiaremos aqui pela extensa literatura científica baseada em estúdos epidemiológicos, dietéticos e ensaios in vitro com animais ou ensaios clínicos que demonstram a presença nestes produtos naturais de biomoléculas que têm demonstrado atividade quimiopreventiva, e inclusive terapêutica, frente a múltiplas enfermidades crônicas e infecciosas. Entre estas biomoléculas estão todo tipo de antioxidantes conhecidos como as vitaminas e toda uma série de fitoquímicos ou micronutrientes com atividades contrastantes como carotenóides, polifenóis, erpenóides, fitoesteróis, compostos de enxofre. A estes compostos orgânicos devemos somar compostos orgânicos, devemos agregar sais minerais variados como selênio, zinco e magnésio.

Algumas destas substâncias tem sido estudadas em ensaios clínicos de intervenção nutricional como coadjuvantes do tratamento principal, alguns contra coronavirus similares. Nestes ensaios se constatou a importância do estado nutricional do paciente em desenvolvimento e letalidade da enfermidade e na eficácia dos tratamentos convencionais.
Segundo os estudos disponíveis sobre estas biomoléculas com eficácia terapêutica potencial contra o COVID-19 ofeceriam proteção através de diversos mecanismos, tais como atividade antioxidante (vitamina C), anti-infectiva celular (vitamina A), anti-inflamatória (vitamina B3), estimulante de células defensivas (zinco, vitamina D), redutora do estresse oxidativo (flavonoides, selênio, vitamina C e E), etc. É bem provável que cada uma delas tenha efeitos múltiplos e que atuem em combinação ou sinergia entre todas elas quando são de origem diética. Por isso deve ficar claro que em produtos naturais estas biomoléculas sempre aparecem dissolvidas em matrizes alimentares aquosas completas onde são realmente efetivas, para atuar como quimiopreventivas devem ser consumidas preferencialmente em seus alimentos e em estado fresco, dado que em sua maioria se destroem pelo calor. Alguns casos de deficiências passageiras podem ser suplementados por um médico, mas é um erro suplementar habitualmente uma dieta deficiente com comprimidos, complementos vitamínicos ou biomoléculas, isoladas do alimento, a longo prazo.

Sem medo de ser exaustivos e sem considerar alimentos exóticos, provavelmente efetivos, porém inviáveis para o consumo dietético habitual, podemos enumerar alguns grupos de alimentos vegetais comuns ricos em fitoquímicos bioativos imunomodulares e antinflamatórios:
• Alho: esse bulbo é muito conhecido por seus efeitos “antibacterianos, antivirais e antifúngicos” ou em realidade, por seus efeitos reguladores da manutenção do equilíbrio da microbiota no organismo que é o enfoque holístico correto. Existem estudos que mostram a atividade potenciadora do sistema imunitário do alho, aumentando os glóbulos brancos e seu efeito benéfico em processos catarrais em ensaios com humanos. Estes efeitos se atribuem ao composto com enxofre chamado alicina que se forma exclusivamente ao cortar o alho, ainda que seja provável que atue em sinergia com muitos outros compostos da matriz. Além disso, o alho possui quantidades consideráveis de vitaminas C e K, folato (vitamina B9) e colina, um potente anti-inflamatório, magnésio, potássio e selênio. Igualmente os alhos devem comer-se crus, porque a alicina se destrói com o calor. Uma quantidade de 2 a 4 dentes diários seria recomendável em temporadas de gripe e epidemia;


• Azeite de oliva: extravirgem e sem esquentar. Seu uso como complemento nas receitas típicas da dieta mediterrânea como saladas, gazpachos e salmorejo, tem uma função chave no aumento da biodisponibilidade no organismo destas substâncias, devido a que em sua maioria são lipófilas e necessitam do azeite para poder ser absorvidas ao máximo depois da digestão, cooperando com os sais biliares e sucos intestinais para isso. Portanto, é essencial que saladas, gazpachos e outras receitas levem sua proporção de azeite tradicionalmente empregada para ter toda a efetividade quimiopreventiva possível. Porém, além dessa função transportadora, o azeite de oliva tem suas próprias biomoléculas ativas como terpenos, vitaminas E e K, fitoesteróides;
• Outros óleos vegetais (em sua matriz alimentaria em frutos secos, abacate, etc) não desnaturalizados por tratamentos térmicos (frutos secos crus, não fritos). Os frutos secos tem as vitaminas do grupo B que são imunoestimulantes. Os óleos vegetais de sementes que tomamos em excesso em alimentos processados (girassol, soja, milho, canola…) são proinflamatórios no contexto dos dias atuais, por ter ácidos graxos 6 e por eles alterarem a proporção 6:3 saudáveis, estimada em 2/1 para índices muito superiores na dieta ocidental (1/20 ou 1/30). Daí a importância de usar óleos de peixe para reequilibrar esta proporção proinflamatória, já que os 3 são moduladores de imunorespostas;
• Cítricos, laranja e limão: além da superconhecida carga de vitamina C, trazem potássio, magnésio, provitamina A, ácido fólico, carotenoides e flavonoides que potenciam a atividade da vitamina C e incrementam o número de leucócitos. Sem esquecer a colina;
• Verduras ricas em vitaminas C, junto com uma grande diversidade de fitoquímicos ativos, como os conhecidos cítricos, mas também tomates, pimentões, brócolis e outras verduras são muito ricas em vitaminas C. As verduras coloridas, com tons vermelhos, púrpura, amarelo, etc, contém carotenos responsáveis por estas colorações. Os carotenóides são as biomoléculas mais estudadas em atividades quimiopreventivas frente a diversas patologias crônicas, entre elas o câncer e doenças cardiovasculares. Por exemplo, um tomate contém vitaminas C, K, carotenos como provitamina A (betacaroteno), licopeno e luteína, folato, colina, fitoesteróides. Todas elas moléculas ativas quimiopreventivas de patologia crônicas;
• Gazpacho e salmorejo. Aquí cabe recordar que estas verduras são muito mais efetivas quando combinadas em saladas e gazpachos com azeite de oliva do que tomadas isoladamente, como demonstramos em nossa investigação sobre gaspacho e atividade anticancerígena. O salmorejo ainda aporta maior quantidade de alho, por isso é mais potente, inclusive contra processos gripais ou similiares como o que nos ocupa;
• Cenouras e abóboras, por seu alto conteúdo em carotenóides, que lhes dão sua cor alaranjada, luteína, folato e fitoesteroides;
• Cogumelos. Devido aos betaglucanos, fibras que reforçam a imunidade e a formação de macrófagos e linfócitos que atacam patógenos, como os virus respiratórios. Têm mostrado sua eficácia não só na prevenção e no tratamento de gripes e resfriados. Sem falar de cogumelos exóticos, os champignos por exemplo contém vitamicas C e D, folato e colina, magnésio e selênio;
• Raízes como gengibre, com elevado índice de colina, magnésio e fitoesterois, tem demonstrado seu poder anti-inflamatório no alívio de sintomas da gripe com febre e congestão nasal;
• Todo tipo de especiarias possuem atividade antioxidante, entre as que destacamos está o Cúrcuma, rico em vitamina C, colina e folato, além de ser conhecido como anticancerígeno associado ao polifenol.
• Couves, da família da couve-flor, brócolis, repolho, devem ser cozidos preferencialmente no vapor. Por exemplo, o brócolis é rico em provitamina A, vitaminas C e K, luteína, folato, colina, magnésio, selênio e compostos com enxofre tem mostrado sua atividade anticancerígena;


• Frutas do pomar como mirtilos, morangos, etc, cujo cor intensa, por causa dos antocianos e carotenoides, é um indicador de sua bioatividade, como temos dito. Os mirtilos por exemplo são ricos em provitamina A, luteína, vitamina K, folato e potássio;
• Hortaliças foleaceas de cor verde (alface, escarola, etc) devido as clorofilas tem demonstrado também atividade anticancerígena em estudos. Os alfaces, por exemplo são ricos em vitaminas C, K, protovitamina A (betacaroteno), luteina e folato;
• Não esqueçamos que outros vegetais que contém polifenóis, biomoléculas altamente bioativas e anticancerígenas, como a quercetina nas maças, na cebola, uvas e granadas, além do azeite de oliva;
• As granadas são as frutas com atividade antioxidante e anticancerígena mais eficazes, portanto não custa incluí-las diariamente em nossa dieta in natura ou como sucos, sempre sem pasteurizar, na medida do possível.
É imprescindível enfatizar que estes supervegetais devem ser comidos habitualmente e num contexto de dieta natural, composta majoritariamente por produtos frescos (também os de origem animal), já que a maioria dos aditivos artificiais são proinflamatórios, ao provocar uma reação fisiológica de rejeição. Portanto a regra é ir diariamente nos mercados e pontos de vendas de alimentos frescos, com as precauções devidas. Aproveitando a ocasião para romper o nefasto estancamento dos líquidos e sangue provocado pela ausência de mobilidade.

Por último cabe recordar novamente, ainda que sejamos cansativos, que as biomoléculas quimopreventivas devem ser consumidas prioritariamente em seu alimento completo fresco. Quer dizer, tomar comprimidos e complementos vitamínicos não é recomendável habitualmente, salvo em casos de deficiências pontuais. Em primeiro lugar, não são tão efetivos isolados em pílulas ou extratos processados como quando estão combinados em sua matriz completa aquosa natural e fresca, e em segundo lugar existem evidências de efeitos prejudiciais quando se toma por longo período, se tornando contraproducentes.
Isso se deve não somente quando se deteriorou as biomoléculas, senão a um fato que poucos cientistas e nutricionistas conhecem: a perturbação e desnaturalização da estrutura coerência da água. Seria muito longo explicar aqui, porém a água contida nos vegetais, além de constituir 90% do que ingerimos numa verdura, não é inerte em si mesma. Determinadas associações entre as moléculas de água em estado natural são o suporte físico de processos bio eletromagnéticos vitais para a manutenção da saúde do vegetal e de quem o consome. Por isso nunca se pode substituir um vegetal cru por extratos vegetais nos quais foi desnaturalizado ou evaporou a água. Por esse mesmo motivo aqui também a recomendação antigripal de tomar água abundante e hidratar-se, porém não qualquer tipo de água, senão preferencialmente água minerais ou melhor ainda as conhecidas de antemão como mineromedicinais, saídas diretamente das entranhas da terra e conservando por tanto sua estrutura e funcionalidade bio-eletromagnética natural que tem perdido a água da torneira que por muito que a filtremos não vai recuperar-se, além de ter sofrido todo tipo de tratamentos químicos e possíveis excessos de cloro, grande biocida e oxidante como sabemos.

O uso dos vegetais para otimizar a assimilação de biomoléculas ativas e potencializar o sistema imunitário é a chave para potencializar o estabelecimento de uma microbiota saudável, diversa e equilibrada. Em última instância toda nossa saúde e defesas depende do equilíbrio da microbiota que não só está como se pensa nas mucosas e sistema digestivo, senão por todo o organismo, inclusive o sangue (os misteriosos “simbiontes” ainda por estudar). Para isso, há numerosos probióticos e prebióticos naturais que demasiado enumerar aqui, sem ir muito longe a fibra vegetal. Basta mencionar o kefir, um tipo de lactobacilo fermentado, imunopotenciador e com efeitos muito superiores aos de um simples leite pasteurizado, devido a grande diversidade de espécies microbianas que nos proporciona e que atuam equilibrando nosso sistema microbiótico.

Para vírus não existem antivirais nem tratamentos convencionais realmente efetivos, por que atuam desde dentro de nossas células com os mesmos processos que nos mantém vivos, aos quais não podemos atacar. De maneira que tanto para um catarro, uma gripe ou um coronavirus a maioria das pessoas (5 a 0%) só terá que seguir as pautas clássicas de esperar isolados o curso da enfermidade uns dias, tomando em todo caso remédios para alivio sintomático com o paracetamol (melhor que ibuprofeno). Ou melhor nada, como recomenda a medicina clássica anterior a era farmacêutica, pelo risco de interferir no nosso sistema imunitário e com uma inflamação bem modulada que recordemos é um mecanismo de defesa fundamental. Nestes casos de hidratação correta e uso dos alimentos mencionados pode melhorar a evolução e cura final da enfermidade infecciosa.
Para os grupos de risco que poderiam requerer hospitalização (15 a 20% dos infectados), estes são os fumantes, pessoas de idade muito avançada (acima dos 80), em especial aqueles maiores de 60 anos com sistema imunitário deprimido pela idade e com patologias crônicas, sobretudo respiratórias ou cardiovasculares, hipertensão, diabetes, etc. Se devem levar ao extremo as precauções conhecidas para evitar contágio. Estes grupos precisamente são os que devem ser mais rigorosos na hora de implementar desde já as mudanças dietéticas que estamos recomendando, junto com os demais hábitos saudáveis mencionados. O que sem dúvida redundará numa melhora do estado geral da saúde, inclusive das patologias crônicas.

Finalmente recomendamos aos leitores comprometer-se com o fortalecimento de seus próprios sistema de defesas, comprometendo-se diretamente mediante suas próprias revisões e desenho dietético. Estimulamos aos leitores que se informem na internet por si mesmos sobre estes anticatarrais, imunopotencializadores e imunossupressores dietéticos naturais, centrando a busca em termos chaves como “inflamação”, “imunidade”, “alimentos”, “frutas e verduras”, “azeites vegetais”, “dietas anti-inflamatórias”, etc. buscando sempre na seleção de alimentos a viabilidade de um consumo habitual e frequente, já que é importante que exista uma firme aderência a dieta, e isto se consegue só quando se toma gosto para toda a vida. Não esquecemos que o jejum intermitente, como ficar sem jantar um par de dias na semana, tem demonstrado potenciar o sistema imunitário e atuar como eficaz desintoxicador.
Esperamos que, ao menos, está crise (que têm certo tom de penitência quaresmal) como o que ocorreu na peste negra do século XV, muito mais mortífera que esta epidemia e que levou a Europa a um renascimento, sirva como catarse para levar nossas sociedades desnaturalizadas a uma nova era onde se recupere a conexão com o mundo natural mediante o consumo de comida real e alimentos frescos, em particular vegetais. Que os vegetais se convertam na base da alimentação, com uma redução drástica do consumo de açúcar e alimentos processados desnaturalizados. Isso levaria a uma redução paulatina de todo tipo de enfermidades que acabam silenciosamente a cada ano com a vida de milhões de pessoas, sem que ninguém faça nada eficaz para evitá-lo, incluída a pneumonia e a síndrome respiratória aguda por COVID-19. Se mediante a difusão massiva deste tipo de informação conseguiremos salvar entre todos uma só vida, nos sentiremos justificados.


Sorte a todos, tranquilidade e bons alimentos.

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